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Quando, em 1963,
preparei a lembrança de minha ordenação sacerdotal, escolhi a
mensagem:
Sacerdote para anunciar a misericórdia, o amor e a paz e Cristo.
Chamaram-me de hippie! Estávamos no tempo deles.
O que sou, procurei demonstrar com meus atos.
Gosto de fazer o bem e evitar toda espécie de mal. Se fosse
possível, quando respiro ar poluído, quereria filtrá-lo em meus
pulmões e devolvê-lo purificado ao mundo. Tenho certeza de ter
ajudado muita gente a sair da “fossa”. Não sei se mais ajudo do que
sou ajudado. É um tipo de conta que não faço. Se a matemática não é
uma hipótese, a vida também não se resume a uma cifra qualquer ou a
alguma teoria filosófica.
Muitas vezes me senti despreparado para as tarefas que se
apresentavam. Mas nunca deixei de fazer dez, só porque não podia
fazer cem.
Como provavelmente aconteceu com você, já senti saudades de algumas
coisas vividas. Em determinados momentos de êxito e sucesso, ou de
emoções e euforia, tive receio de que aquele fosse o ápice do qual
em breve poderia estar declinando, pensando que poderia nunca mais
reviver situações semelhantes, corri o risco da provocação de um
sabor de frustração em relação ao futuro.
Graças a Deus, e também aos meus esforços, isso ainda não ocorreu, e
tenho percebido que o surgimento das oportunidades e dos desafios é
para me colocar numa fase, na qual há sempre maiores motivações.
A vida tem sido uma escalada. A Experiência tem produzido segurança.
O Que já não é possível realizar pela velocidade e pela força tem
sido pela concentração do pensamento e pelo aprendizado dos altos e
baixos do dia-a-dia.
Tenho muitos amigos – ao menos, assim os considero. Já fui enganado.
Gostaria de saber quem não foi.
Em 73 anos, consegui viver muitos sonhos. Todos, também, seriam
impossíveis.
Se depender de mim, quero viver ao menos noventa anos. Mas é um
exagero. Em intensidade já vivi uns duzentos.
Recebi muitos elogios e também criticas. Quanto aos primeiros, todos
nos gostamos de ser queridos ou queridas. Com referência às
críticas, entendo que as pessoas que crescem vão se elevando e se
distanciando da mediocridade, de tal modo que as farpas lançadas
contra elas não mais as atingem. Ao invés de as ferir, passam a
serem setas indicativas da posição em que se encontram.
Não programo o retorno do que procuro fazer. Mas me realizo na
alegria de tudo o que consigo, acreditando no cem por um e na
felicidade da vida eterna prometida por Jesus”. – do livro Pelos
Caminhos de Cristo |